Sobre se amar sem se importar com a balança

Eu tenho vários defeitos: sou impaciente, teimosa, indisciplinada – vamos parar por aqui, não quero que você tenha uma má impressão de mim. Mas um defeito que não tenho, e falo isso com orgulho, é ser hipócrita. E é sobre isso que vou falar.

Não vou ser hipócrita em dizer que estamos felizes com nossos corpos – nem os que estão gordos e nem aqueles que já estão num peso legal. Se a gente está aqui no grupo, é porque escolheu o estilo “baixo carboidratos” para ter uma saúde melhor, sim, mas principalmente para emagrecer. Vamos combinar que o que nos trouxe – e nos motiva - aqui, na maioria dos casos, foi o objetivo de emagrecer.

Emagrecer é fantástico, a gente volta a usar roupas que não cabiam mais, alguns usam manequim que jamais usaram, ganha autoconfiança e por aí vai. Mas tem um detalhe que é muito importante a gente falar: não vamos esperar emagrecer para se amar, se dar valor. Façamos um esforço para nos gostar, mesmo que a balança ainda mostre números altos, mesmo que “aquela” calça não passe nem nas coxas. A hora de se amar é já, agora, right now. Muitos pensarão “mas como gostar de mim assim, desse tamanho?”. Ah, faça um balanço sobre você mesmo. Certamente você tem inúmeras qualidades e não apenas o “defeito” de ser gordo. Aposto que você é uma pessoa que se preocupa com o próximo, boa amiga, já deu um bom conselho para aquele seu amigo que estava pra baixo. Vai ver até recicla lixo – e isso é fazer um bem imenso para a humanidade. Viu? Você tem vários motivos para gostar da pessoa que você é agora mesmo.

Vou te contar um segredo: se você não aprender a gostar de você gordo, vai continuar a não gostar totalmente de você magro. Verdade. Mesmo quando emagrecer vai encontrar “defeitos” em seu novo corpo. Se você não se amar, vai dar sempre um jeito de implicar com você mesmo.

Já que estou falando abertamente de mim, vou contar mais coisas a meu respeito: eu fui uma adolescente gorda e sempre sonhei com o dia em que seria magra. Não gostava do meu corpo e isso me trouxe muitos problemas – bulimia e baixa autoestima. Aos 15 anos fiz minha primeira dieta e emagreci. No início, eram só flores – todas as roupas ficavam bem em mim, recebia mil elogios e todas aquelas coisas que acontecem quando a gente emagrece. Só que, passado o deslumbramento de ver minha cintura, minhas saboneteiras e até o ossinho do meu quadril, eu comecei a descobrir – ou melhor, a inventar – defeitos no meu corpo. Eu era magra mas não tinha autoestima.

Pior, eu tinha transtorno disfórmico, que é, resumidamente, uma preocupação com um defeito “inventado” na aparência física que gera uma reação excessiva ao tal “defeito”, fazendo com que a pessoa passe a se atormentar com o que considera uma falha, uma aberração. É uma doença crônica e, como tal, merece atenção. Felizmente existe tratamento.

A baixa autoestima está intimamente associada ao transtorno. E não existe dieta, exercício ou cirurgia plástica que deem jeito no corpo quando a mente não vai bem. E uma das formas de fazerem a mente ficar numa boa é a autoaceitação independentemente do seu peso. Aliás, pare um pouco de pensar nele. Pense naquelas qualidades que falei lá em cima. E lembre de outras.

Quando comecei a olhar mais para minhas qualidades, me conheci melhor e comecei a gostar de mim.

É claro que eu gosto mais de mim magra – não sou hipócrita, lembra? Por isso não vou dizer que tanto faz quanto estou pesando. Eu me sinto melhor magra, mas quando engordo não passo a me odiar, não me sinto inferior, não me puno.

Continue nesse estilo de vida tão legal que é a Low Carb, emagreça, mas, sobretudo, faça as pazes com quem você é. Seja seu maior fã, seja lá qual número a balança mostra. Assim como eu, você é muito mais do que números.

#lowcarb #dieta #autoestima

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